Apesar de progresso , Brasil permanece entre os mais desiguais do mundo


Segundo estudos da ONU e do IPEA, apesar dos progressos sociais      registrados no início da década passada, o Brasil continua entre os países com  pior distribuição de renda e entre os mais desiguais do mundo

O índice de Gini – medição do grau de desigualdade a partir da renda per capita – para o Brasil ficou em torno de 0,56 por volta de 2006 – quanto mais próximo de um, maior a desigualdade.

Isto apesar de o país ter elevado consideravelmente o seu índice de desenvolvimento humano – de 0,71 em 1990 para 0,81 em 2007 – e ter entrado no grupo dos países com alto índice neste quesito.

O cálculo do indicador de desigualdade varia de acordo com o autor e as fontes e a base de dados utilizados, mas em geral o Brasil só fica em melhor posição do que o Haiti e a Bolívia na América Latina – o continente mais desigual do planeta, segundo o Pnud ( Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

O relatório, que será divulgado oficialmente nesta sexta-feira , mostra que o país é o décimo no ranking da desigualdade.

A distribuição de renda no Brasil é a pior do mundo, em que os 10% mais ricos ganham 28 vezes a renda dos 40% mais pobres. Este é um dos dados publicados em uma pesquisa no livro chamado “Desigualdade e Pobreza no Brasil”, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que levou em consideração indicadores do Banco Mundial (Bird), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), IBGE e da ONU.

Outros elementos do estudo do IPEA indicam que os 10% mais ricos da população brasileira se apropriam de cerca de 50% da renda total do país, e os 50% mais pobres detêm apenas 10% da renda do país. Outros países mais pobres não têm uma desigualdade estrutural tão grande como o Brasil. Pelos dados da pesquisa do IPEA, esta situação não sofre mudanças há exatamente 25 anos e parece que existe um conformismo dentro da sociedade brasileira de continuar esta desigualdade.

Desigualdade e mobilidade

 

 

O relatório  do Pnud foca no problema da desigualdade na América Latina. Dos 15 países onde a diferença entre ricos e pobres é maior, dez são latino-americanos.

O documento traça uma relação entre a desigualdade e baixa mobilidade social, caracterizada pelo círculo de aprisionamento social definido pela situação familiar de cada indivíduo.

No Brasil e no Peru, por exemplo, o nível de renda dos pais influencia a faixa de renda dos filhos em 58% e 60%, respectivamente.

No Chile esse nível de pré-determinação é mais baixo, 52% – semelhante ao da Inglaterra (50%).


Já nos países nórdicos, assim como no Canadá, a influência da situação familiar sobre os indivíduos é de 19%.

Alemanha, França e Estados Unidos (32%, 41% e 47%, respectivamente) se incluem a meio do caminho.

A mobilidade educacional e o acesso à educação superior foram os elementos mais importantes na determinação da mobilidade socioeconômica entre gerações.

Relatório do Pnud :

No campo educacional, os níveis de educação dos pais influenciam o dos filhos em 55% no Brasil e em 53% na Argentina. No Paraguai essa correlação é de 37%, com Uruguai e Panamá registrando 41%.

A influência da educação dos pais no sucesso educacional dos filhos é pelo menos duas vezes maior na América Latina que nos EUA, onde a correlação é 21%.

“Estudos realizados em países com altos níveis de renda mostram que a mobilidade educacional e o acesso à educação superior foram os elementos mais importantes na determinação da mobilidade socioeconômica entre gerações”, afirma o relatório.

Para o Pnud, a saída para resolver o problema da desigualdade na América Latina passa por melhorar o acesso das populações aos serviços básicos – inclusive o acesso à educação superior de qualidade.

O relatório diz que programas sociais como o Bolsa Família, Bolsa Escola e iniciativas semelhantes na Colômbia, Equador, Honduras, México e Nicarágua representaram “um importante esforço para melhorar a incidência do gasto social” na América Latina, sem que isso tenha significado uma deterioração fiscal das contas públicas.

“No que diz respeito à distribuição (de renda), as políticas orientadas para o combate à pobreza e à proteção da população vulnerável promoveram, na prática, uma incidência mais progressiva do gasto social, que por sua vez resultou em uma melhor distribuição da renda.”



Mapa da Pobreza no Brasil : Proporção de pobres analisada por micro regiões.

 

 
 

 

A doutora em Antropologia, Márcia Anita Sprandel, autora do livro “A Pobrezano Paraíso Tropical”, avalia que não basta o País ter um alto crescimento econômico se não houver repartição das riquezas de forma justa. “Um modelo concentrador de rendas, terras e dilapidador dos recursos naturais, provavelmente, aumentará o abismo entre ricos e pobres.”
  
A economista da Unicamp Wilnês Henrique concorda que é preciso aliar crescimento econômico com outras políticas. “É fundamental um crescimento que gere empregos e que propicie aumento de salários e renda. Precisamos de justiça social e de um crescimento qualitativo. Não adianta, por exemplo, gerar muitos  empregos  com péssimos salários. Assim, a população não pode ter acesso à moradia adequadaa um transporte de qualidade, a saneamento básico e a uma escola de qualidade.” 
Para Castro, a escola precisa se adaptar ao aluno e se tornar mais atraente: “Estamos cometendo um genocídio da esperança dos jovens ao não cuidar da escola. Botamos mais jovens na escola. A batalha agora é pela qualidade do ensino”.


Alguns projetos implantados no Brasil para a Educação : 

 


PBA : 

O  MEC realiza, desde 2003, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), voltado para a alfabetização de jovens, adultos e idosos. O programa é uma porta de acesso à cidadania  e o despertar do interesse pela elevação da escolaridade. O Brasil Alfabetizado  é desenvolvido em todo o território nacional, com o atendimento prioritário a 1.928 municípios  que apresentam taxa de analfabetismo igual ou superior a 25%. Desse total,  90%  localizam-se na região Nordeste. Esses municípios recebem apoio técnico na implementação das ações do programa, visando garantir a continuidade dos estudos aos alfabetizandos. Podem aderir ao programa, por meio das resoluções específicas publicadas no Diário Oficial da União, estados, municípios e o Distrito Federal.

Portal do PBA : http://migre.me/ZXli


Sesi por um Brasil alfabetizado :

Acabar com o analfabetismo no Brasil não é apenas ensinar a ler e a escrever 
cerca de 16 milhões de pessoas. Significa também promover a cidadania de quase 10% do total da população nacional. Há mais de 60 anos o SESI persegue este sonho e, desde 2003, juntou-se ao Ministério da Educação para acelerar sua realização e lançar o programa SESI por um Brasil alfabetizado.

Em menos de quatro anos, já foram atendidos 1 milhão de alunos, com idade entre 15 e 60 anos. Para facilitar o acesso, as aulas não acontecem necessariamente numa sala padrão. Mesmo nos locais mais distantes, igrejas, praças, varandas de casas ou pátios de empresas abrigam grupos de pessoas que estão conhecendo o valor da educação.

Iniciativa do governo federal, o projeto teve o SESI como principal parceiro desde o início. A experiência da entidade tem ajudado a capacitar os professores e, principalmente, a adotar uma metodologia de ensino comprovadamente eficaz para atender às especificidades do público-alvo. 


Umas das maiores ferramentas no combate à pobreza e a desigualdade no Brasil é , sem dúvida , a educação. 

 

Fontes: 

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ matéria integrada e modificada

http://cassitoo.blogspot.com

estudo “Pobreza e desigualdade têm múltiplas causas” – Márcia Correia

http://www.folha.uol.com.br/

A EVASÃO ESCOLAR E A APRENDIZAGEM: Uma reflexão publicado 18/03/2010 por ADRIANA GUEDES DA SILVEIRA MENEZES em http://www.webartigos.com

 

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Sobre UnderlinePV

"Sei o que faço, Amo o que faço e faço bem" Paulo Victor Fanaia é Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG
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