“Eu não acredito na sobrevivência do jornalismo como uma profissão remunerada”


Afirma Paulo Markun, jornalista e ex-apresentador do Roda Viva, que abre polêmica no terceiro dia de Ciclo Bravo! de Jornalismo e Literatura, no Fórum das Letras, em Ouro Preto-MG.

Ciclo Bravo! de Literatura e Jornalismo. Foto: Paulo Victor Fanaia Teixeira

Markun afirma que o futuro da difusão de informações está na internet e nas redes sociais. Segundo ele, a capacidade e a velocidade da transmissão de informações quebram o monopólio das grandes redes de comunicação que até então vigoravam, essas mídias, para ele, repassam ao expectador recortes parciais dos eventos noticiosos. “Não existe mais o protagonismo do jornalista, uma única versão dos fatos”.

Ele ainda faz uma comparação com o mito de Adão e Eva, onde o leitor tem apenas uma única versão da história, a de Deus. E que hoje você teria uma gama de fontes de informações de diferentes ângulos. “Fico imaginando como seria o fotolog da serpente ou o Twitter de Adão”. E conclui. “Os gigantes da informação não terão mais tanta importância assim”.

Markun é veemente em sua posição. “Eu não acredito na sobrevivência do jornalismo como uma profissão remunerada”. Houve grande repercussão na sala do anexo do Museu da Inconfidência, de maneiras variadas, entre aplausos do público e perguntas críticas de jornalistas.

Perguntado na mesa sobre como ficaria a credibilidade das informações veiculadas em Twitter, Markun acrescenta que é a favor da regulamentação federal dos meios de comunicação. Mas que é contra qualquer forma de controle da informação virtual.

Concluído o evento, conversei um pouco mais com Markun, que simpaticamente nos atendeu, a respeito de sua análise.

Paulo Markun, após o fim do evento, tirando fotos e conversando. Foto: Paulo Victor Fanaia Teixeira

“Eu não consigo enxergar como que com a velocidade de disseminação da informação que está se processando haja a possibilidade de manter-se esse modelo tradicional. Cada um dos presentes aqui tinha celular com possibilidade de gravar e há softwares com capacidade de transmitir áudio e vídeo dessas conversas.”

“Pode ainda sobrar para o jornalismo alguns nichos, o da opinião, o da investigação aprofundada.”

“Não dá pra pensar que o modelo tradicional vá perdurar e persistir quando você tem 65 Bilhões de Twitters já feitos no mundo.”

“Nenhuma pessoa dessa geração hoje lê jornal escrito, alguns nem jornal de internet, e sim outros sistemas de informação como RSS, Blogs, Sites.”

Finalizando, deixa comentários a respeito do Fórum das Letras.

“Ele tem duas coisas ótimas, primeiro é Ouro Preto, a segunda o formato e a maneira que ele é organizado que permite que os escritores se encontrem, conversem que liguem menos para celebridade, notoriedade e vendas de livros. Espero que tenha sido legal para o público, para nós foi muito legal. É um prazer enorme, quanto mais puder estar aqui no Fórum participando ou assistindo, nos debates e das discussões tanto melhor será pra mim. É super bom para o mundo do livro esse tipo de iniciativa. Acho que o público, principalmente estudantes de jornalismo, em certo sentido deixou algumas dúvidas na cabeça deles, porque certezas eu não tenho”.

O Fórum das Letras é um evento da Universidade Federal de Ouro Preto, ocorrido anualmente na cidade histórica de Ouro Preto-MG, e vai dos dias 10 a 15 de Novembro. 

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"Sei o que faço, Amo o que faço e faço bem" Paulo Victor Fanaia é Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG
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