“A arte morreu!” – e outras falas de Décio Pignatari


Ainda tive o prazer de encontra-lo hoje assistindo a uma mesa no Fórum das Letras, neste domingo.

Seria egoísmo de minha parte não compartilhar com vocês, leitores, as falas de Décio Pignatari. Falas que tiraram críticas, aplausos e risadas do público presente nesta mesa. “Pois é poesia: Ritmo e o silêncio”. Com , o já citado, concretista, além de Frederico Barboza, poeta e promotor lítero-cultural (na ponta) e com a mediação de Benjamin Abdala Júnior professor e crítico literário (no centro).

Peço que entendam, sim, como manifestação de sua pura opinião. Mas não podemos dizer se essas opiniões e críticas fazem parte de sua íntima reflexão, sobre os  alvos, desde sua juventude ou se a acidez lhe escapou no momento, talvez devido a idade, como quiserem entender.

O fato é que ele é uma figurassa, crítico, simpático, e que nos atendeu super bem após o encerramento da mesa, após duas horas e meia no palco.

Fica o registro de algumas de suas principais falas. Peço que não fiquem se sentindo alvos pessoais dele, mas de sua figura controvérsa, caracteristica que o marca e consagra suas poesias.

A mesa começa, obviamente, tratando de poesia, e após algumas falas iniciais passam a bola para ele, que abre dizendo:

“Não estou interessado em nada disso, muito menos em poesia. Poesia é um saco, não tenho mais paciência. Não vou escrever nunca mais”.

“O surrealismo é uma praga e é a ciência dos ignorantes. Você continua pintando uma pintura tonal, baseado num tema… Uma mulher transando com um lagarto, Oooh! ”  – criticando a fama , ao seu ver, não merecida, do Surrealismo.

“A psicanálise é a ciência dos ignorantes”

(A poesia morreu?) “Agora vou ser mais radical!  A arte morreu , a arte morreu!  E é preciso justamente na hora que acontece isso, você repensar a arte”

“O brasileiro não sabe falar, brasileiro fala mal, quando tem mais de três consoantes ele não sabe”
” Tem alguns poetas brasileiros que não entendem de arte, apenas aceitam o corrente”

“A língua brasileira é frouxa e mole por só usar vogais”

“Aí fica essa malemolência  (..) essa fala mole (…), metemos vogal em tudo (…) Tudo bem, mas fica uma merda!”

“O teatro brasileiro representa mal, o cinema brasileiro sobe e morre , sobe e morre. A poesia brasileira então … piada!” 

Por fim, quem esteve lá, com certeza gravou o poema de Olavo Bilac, que Décio recitou umas quatro vezes, como sendo exemplo de poesia boa, quando bem falada.

“Sobre a velha Ouro Preto o ouro dos astros chove” e conclui analizando “Puta merda , isso que é poesia , se você não entende uma coisa dessa é melhor você ler esse romancinhos de folhetim que tem por aí”

Com Décio Pignatari, vemos que ainda falta muito para nosso Blog ser livre , crítico e ácido.

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Sobre UnderlinePV

"Sei o que faço, Amo o que faço e faço bem" Paulo Victor Fanaia é Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG
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