Décio Pignatari defende a importância da expressão vocal e gera polêmica nesta quarta noite de Fórum das Letras


Polêmico, Décio Pignatari, poeta, ensaista, crítico literárioe tradutor brasileiro foi quem deu o ar da graça neste quarto dia de Fórum das Letras em Ouro Preto-MG. Fundou junto com Augusto e Haroldo de Campos o movimento estético Concretista. Autor de poemas como “Beba Coca Cola”. Hoje com 83 anos, dá sua opinião, com clareza e sem papas na língua. Dando um show de ironias, críticas ácidas às artes e a língua portuguesa. E abriu polêmica quanto à expressão vocal brasileira, de origens índias e africanas.

Seus discursos permearam questões como a situação atual da poesia, do teatro e do cinema, as dificuldades do povo brasileiro em se expressar, e apontou o hoje como sendo momento de se pensar em mudanças na arte.

 

Décio Pignatari. Foto: Paulo Victor Fanaia Teixeira

“A língua brasileira é frouxa e mole por só usar vogais (…) brasileiro mete vogal em tudo”.  Décio ainda criticou o teatro brasileiro, que, segundo ele não sabe se expressar. “O nosso teatro precisa começar a dizer um português dessente.”

Umas das situações mais interessantes foram às correições que ele fazia das leituras de seus poemas, feita por seus companheiros de mesa, Frederico Barbosa, poeta e crítico literário e Carlito Azevedo, poeta. Interrompia a continuação da mesa, pedia os papéis para ele, e os relia com uma entonação, que, de fato faziam a diferença. Ao contrário do que poderá parecer, não foi uma situação constrangedora, pelo contrário, seus leitores levaram na esportiva e acharam muita graça.

“Ainda bem que o Senhor vai me corrigir, agora eu posso ler do jeito que eu quiser.” – ironizou Carlito Azevedo.

Sempre com sua long neck de Heineken, Décio participou de duas mesas seguidas, das 19:00 hr às 21:30 hr

O momento mais polêmico da mesa é quando ele diz:

“É uma tradição popular, índia e africana, o que é uma preguiça,  meter vogal em tudo para facilitar a articulação e a língua, para se falar um tritongo de consoantes, o que exige de esforço? Como você vai falar esse tipo de coisa!” (ironia)

“Aí fica essa malemolência (.) essa fala mole (…), metemos vogal em tudo. E pra nossa língua tudo bem, mas fica uma merda.”

O cine teatro Vila Rica, nessa hora perdeu metade de seu público.

O comentário foi recebido como uma ofensa para grande parte do público. Para Márcia Valadares, ouro-pretana e negra, foi uma ofensa para suas raízes, e nega que africanos falam necessariamente com vogais. Segundo ela, a língua brasileira é assim mesmo, diferente. “Vem um senhor desse, nesta cidade, fundada por escravos africanos, dizer uma bobagem dessas.”

A segunda parte da mesa foi uma homenagem à Décio , e contou com a mediação de Edney Silvestre, jornalista e escritor.

Ao final da noite, Décio ainda teve tempo de conversar com fãs, tirar fotos e autografar livros.

O Fórum das Letras vai até segunda feira.

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Sobre UnderlinePV

"Sei o que faço, Amo o que faço e faço bem" Paulo Victor Fanaia é Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG
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