“Quando crescemos” – Mensagem de Natal


Quando a gente cresce, o Natal parece ser bem mais estranho, não é mesmo? Às vezes ele parece ter caído numa espécie de rotina… Compare o seu natal com o meu e veja se é parecido: peru de natal que seus pais fazem, o seu tio apressado diz que está pronto e sua mãe diz: “espera, não seja agoniado, só mais dez minutinhos”, a sua tia que faz o arroz, o tio que se veste de papai Noel, um parente que fica sentado na cadeira à noite toda, aquele tio que insisti em fingir que a festa é como qualquer outra e fica tomando cerveja e falando de política local.

E você fica com certa sensação de culpa de estar com tédio na noite mais esperada do ano. O jantar, comes, e de repente, acabou-se a atração principal da festa! E fica então imaginando onde estará havendo há esta hora um Natal diferente, alegre, com música, neve, Papai Noel (realista), crianças gritando, um cheiro de brinquedo novo no ar, papéis de presente pelo chão, luzes, barulho, conversas, fogos de artifício e todas aquelas pessoas felizes como nas propagandas de Peru. Onde estarão estas pessoas? E você pensa nas festas dos EUA. Eles costumam ser mais alegres no natal, sugerem os filmes.

E você ali, barriga cheia, sentado no sofá. O seu pai arrota e fala “Tava uma beleza a ceia”.

Onde está aquele espírito natalino que existia na infância? Nostálgico não?  Lembra quando você ficava, pelo menos, uns 10 dias antes de 25, acordando cedo e indo correndo para a árvore ver se Papai Noel tinha resolvido adiantar as festas, e nada?  “Velho chato”

E quando você mal conseguia jantar de tão agoniado esperando os presentes e seus tios sussurrando, “traz logo o Papai Noel aí agente janta! Os meninos tão agoniados e tá todo mundo com fome”

E hoje, tudo tão normal, corriqueiro, sequer o coração acelera imaginando a noite, amanhã.

O que será que aconteceu?

Amanhã deixou de ser o grande dia? Acho que deixamos de sonhar.

Paramos de imaginar que Papai Noel virá, que haverá presente, gritaria da criançada, papéis pelo chão.

Simplesmente paramos de sentir isso, porque deixamos de ser os protagonistas do Natal, crianças. Bobagem.

Não deixe de sentir o espírito do Natal! Para você não se tornar aquele tio, que emburrado, clama pela ceia. Neste natal mude seus hábitos, vista uma roupa alegre, entre na casa de seus parentes gritando “ho ho ho”, faça seus priminhos e sobrinhos morrerem de agonia esperando a grande hora, “O que é aquilo?! Acho que vi um trenó voando ali hein!”

Se você tá grande demais para sentar no colo do bom velhinho, seja o bom velhinho! Bote aquela barba mal feita, o gorro, o travesseiro na barriga e vá firme! Não custa nada.

Neste Natal, mude, fale mais, coma menos, sorria mais. Resgate as boas lembranças do Natal e perpetue. Eu me lembro que no dia 24, enquanto preparava-mos o peru, durante a tarde, meu avô ficava pedindo para roubar as ameixas geladas que seriam usadas para a noite. “Uma pra você e uma pra mim”. E era demais fazer isso! E hoje é eu quem vou pedir para meus sobrinhos que tragam da cozinha alguma coisa que será usada na ceia, frutas, doces, ou uma lasquinha de peru.

O que importa é não deixar de sentirmos o espírito de renovação! De alma nova no ar, de nova geração nascendo, de esperança, de confraternização que o Natal levanta como anuncio de tempestade! O ano novo.

O espírito do Natal não está em outro lugar, outro país, ou no passado, está em você, preso pela sua crença de realismo chato que não lhe permite fingir que existe uma estrela que no céu representa Jesus festejando naquele dia, que aquele cometa é Papai Noel chegando, e que a neve vai cair e caminhões da Coca Cola vão chegar iluminando as ruas como passe de mágica!

Se seu coração acelera e sua barriga esfria quando você pensa: Hoje é Natal! é porque o grande espírito de alegria de sua infância ainda reside em você.

Feliz Natal, são os votos de Paulo Victor Fanaia Teixeira,  Folha de Capa.

Anúncios

Sobre UnderlinePV

"Sei o que faço, Amo o que faço e faço bem" Paulo Victor Fanaia é Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG
Esse post foi publicado em Crônicas e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para “Quando crescemos” – Mensagem de Natal

  1. Ramon disse:

    Amei o texto! Parabéns, PV!

    Curtir

  2. Karla Fernanda Fanaia disse:

    Oi Prt falaram tanto ontém sobre a crônica que acordei cedo pra ler e depois corri na árvore na esperança de achar o meu lá … isso é nostálgico… há anos que já sou a mamãe Noel da casa… adorei… bjs KF.

    Curtir

  3. Clifton disse:

    Muito bom o texto, disse tudo!

    Curtir

  4. Verdade! Era bom mesmo quando era criança… eu morria de sono, louca pra ir pra casa, mas tambem era otimo, pois era um dos poucos dias do ano em que podia ficar acordada atéa meia noite… (era tão “cool” aos 7 anos.. misterioso!).
    Hoje nada é “novidade”…
    fazer o que… preço por ficar “crescida”.
    Beijos! Adorei o post!

    Curtir

Deixar um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s