Playlist , muito além das fronteiras.


Um novo jornalismo internacional , uma análise da ignorância do jornalismo brasileiro aos povos islâmicos e uma indicação de podcast.

“Playlist” é uma série de reportagens sobre a mistura de estilos musicais pelo Mundo. É parte da programação da desconhecida pelos ocidentais, rede de notícias do Qatar , Al Jazeera English. Que disponibiliza para download todos os episódios de suas duas temporadas de 2009. (clique aqui para conhecer o site)

É apresentado pelo jornalista internacional , formado no Canadá , Richard Gizbert , que , para outros programas que já apresentou ao longo do tempo, cobriu histórias em mais de cinquenta países dos cinco continentes. Também trabalhou na rede americana de notícias, ABC.

A rede Al Jazeera English se lançou ao ar, com apoio da Qatar Media Corporation , em 15 de Novembro de 2006 , como parte da extensão do canal Al Jazeera, conhecido e debochado pelo senso comum detentor de uma TV fechada.

 A sua versão em inglês rompe esse preconceito , a primeira vista , pelo uso da “língua mundial”, e por ser formada por pessoas advindas de diversos países do Mundo , inclusive da América Latina. Sua filosofia é resumida em seu profile corporativo , como:

Dar voz às histórias não contadas, promover o debate, desafiar as percepções estabelecidas”.

Indo além do lugar comum , a AJE é vista ainda, pelo Ocidente, como uma rede “alternativa” , um jornalismo de resistência. Enfatizando notícias do mundo sem um eixo – nós e eles .

Não vamos ser inocentes, no entanto, em trabalhar com um conceito de “jornalismo global” , obviamente, pois forçaria em implicar dizer que há uma transparência que transcende o cultural, isto é, que um jornal fosse um espelho, e isso já caiu há muito tempo.

Mas, foge daquela visão jornalistica que força em se usar de termos como : “Mundo árabe”, “islâmicos exaltados”, “Um outro mundo”, “os Bin Laden” (para designar todo o islâmico advindo do Oriente Médio) , etc.

Não há exemplo de revista que melhor expresse essa ignorância como a VEJA. Que perfeitamente exemplificou o discurso americano quando bem assimilado.  Qualquer crítica aos EUA é simplesmente “uma doença infantil” , coisa de “crianças impotentes em eterno estado de revolta contra as autoridades”. E mais, “Atribuir aos americanos a origem de todos os males do mundo é um vício psíquico, fonte ao mesmo tempo de prazer e frustração”. *

Enfim,  precisamos entrar na globalização não apenas no uso de I-phones e por contas em Facebook, mas, sim, por ideias, tendo ciência sobre o mundo a nossa volta.

Apenas conhecendo e respeitando as culturas é que nos abdicamos de uma visão burra imperialista ou de uma filosofia que se abstêm do debate forjando um respeito à cultura alheia (que na verdade reforça um tabu), é que se pode discutir a “união global” entre os povos.

Portanto, para que se admire uma produção da Al Jazeera English, é necessário, antes de tudo, abrir a mente e rasgar qualquer preconceito que você tenha com árabes, muçulmanos ou orientais do Oceano Pacífico.

Playlist” é a constatação do quão frutíferas podem ser as fusões culturais entre países, povos e culturas. Richard Gizbert apresenta diversas bandas que fazem isso com sucesso. Criando conceitos de música ainda sem nomes. Como por exemplo os Yoshida Brothers , do Japão, que mesclam o milenar instrumento Tsugaru-jamisen à bateria e solos de guitarra. Ou grupos de rap da Palestina e da Bósnia, que utilizam o ritmo para melodias de protesto. Ou como Bomba Stereo, que une musica colombiana com violões e batidas espanholas à ritmos eletrônicos. Há bandas que misturam ainda mais como Reggie Rockstone que pega ritmos de salsa com baixos e guitarras elétricas de um jazz, passando pelo hip-hop lírico , antigo , americano – tudo isso feito em Gana. Há , ainda muitas outras bandas de metal oriundos de diversos países , e que criticam suas situações sociais.

Enfim, são fantásticos exemplos de re-significação de conceitos como musica popular, música tradicional, tribos, ritos. Uma verdadeira aula de geografia, música, sociologia, história e acima de tudo, faz-nos refletir que não somos – ao contrário do que muitos tentam nos convencer – uma ilha. E , ao contrário do senso comum de muitos intelectuais, a igualdade não se faz na tentativa de ignorar as diferenças culturais, mas de fundi-las, sem se preocupar em estar fazendo um discurso de si neste momento. É enxergar o próximo como alguém diferente, alguém que pode acrescentar algo.

Vale a pena conferir !

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  • Revista Veja (2216, Maio de 2011 , “O Mundo depois de Bin Laden”)

 Link do programa: http://english.aljazeera.net/programmes/playlist/2008/09/200891891658335703.html

 Sobre a Al Jazeera English:http://en.wikipedia.org/wiki/Al_Jazeera_English

Imagens retiradas do Google imagens.

Lamento as diferenças de formatação ao longo do texto. Característico do WordPress.

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Sobre UnderlinePV

"Sei o que faço, Amo o que faço e faço bem" Paulo Victor Fanaia é Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG
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