Carta Aberta do Anonymous à OTAN


Nesta semana dos acontecimentos, o relator-geral da Grã Bretanha leu um relatório publicado pela OTAN (Organização Tirânica do Atlântico Norte, sic, do Tratado). Que citou o grupo Anonymous como uma ameaça,  de que “arquivos delicados do governo, de militares e de empresas“ sejam abertos e livres aos cidadãos.

Aqui no Brasil, alguns destes documentos “delicados” foram jogados no ventilador. Em que hackers (especialistas da rede)  divulgaram e-mails sobre supostas fraudes em licitações da Secretaria de Saúde do Amapá além de alugueis de helicópteros com dinheiro público. Trouxeram também dados protegidos do site do Ministério do Esporte, mostrando supostas “diferenças entre contribuições e recebimentos” de dinheiro público em estados que sediarão jogos da Copa do Mundo, em 2014. Ou seja, supostos mensalões.

Não se iludam, são esses tipos de arquivos “delicados” que as instituições tem medo que venham à conhecimento do público.

A mídia brasileira , obviamente, segue a linha de raciocinio norte americana. Isto é, que  a luta pela transparência no ciberespaço se trata, na verdade,  de invasões de meninos nerds aqui e acolá que fazem das suas peripécias simplesmente por brincadeira. Não.  Na verdade se tratam de grupos, grandes grupos transnacionais que conseguem ter acesso as informações que todo cidadão deveria de ter, daqueles sites tipo “transparência Brasil, saiba o que eles fazem com seu dinheiro.” Enfim.

Outro senso comum que a mídia faz questão de não esclarecer ao público é que hacker não é quem rouba seu Orkut ou que lhe manda e-mails de fotos que na verdade são vírus. Isso se chamam Crackers. Que vem do inglês to crack, “quebrar”.

Hackers são pessoas que constroem e tem domínio sobre a rede , seja ela aberta ou fechada ao usuário leigo. Bill Gates e Steve Jobs, cujos produtos deles você usa, (Windows e Apple). e aposto que você não sente medo de usa-los, são hackers. Sim. E núnca foram acusados de quaisquer crimes de rede. Não. Pois eles nunca foram investigados pelos seus atos, pois só são “ameaça” aqueles que usam do hack para trazer conhecimento e não quem lucra vendendo I-phone.

E , por fim, à desserviço do esclarecimento, o Fantástico nos propõe ações de proteção afim de que “seu computador não se torne um zumbi a serviço do mal”. (Bem e Mal , afinal , conceitos bem definidos e objetivos, não é mesmo?). Em uma matéria com clima de terror e ameaça iminente.

Em resposta a (que extermina crianças e mulheres no Afeganistão), OTAN, o grupo Anonymous,  pública em carta aberta sua posição.

Leia a Carta na Integra:

“Em uma recente publicação, vocês destacaram o Anonymous como ameaça ao ‘governo e ao povo’. Vocês também alegaram que sigilo é ‘um mal necessário’ e que transparência nem sempre é o caminho certo a seguir.

O Anonymous gostaria de lembrá-los que o governo e o povo são, ao contrário do que dizem os supostos fundamentos da ‘democracia’, entidades distintas com objetivos e desejos conflitantes, às vezes. A posição do Anonymous é a de que, quando há um conflito de interesses entre o governo e as pessoas, é a vontade do povo que deve prevalecer.  A única ameaça que a transparência oferece aos governos é a ameaça da capacidade de os governos agirem de uma forma que as pessoas discordariam, sem ter que arcar com as consequências democráticas e a responsabilização por tal comportamento.

Seu próprio relatório cita um perfeito exemplo disso, o ataque do Anonymous à HBGary (empresa de tecnologia ligada ao governo norte-americano). Se a HBGary estava agindo em nome da segurança ou do ganho militar é irrelevante – suas ações foram ilegais e moralmente repreensíveis. O Anonymous não aceita que o governo e/ou  os militares tenham o direito de estar acima da lei e de usar o falso clichê da ‘segurança nacional’ para justificar atividades ilegais e enganosas. Se o governo deve quebrar as leis, ele deve também estar disposto a aceitar as consequências democráticas disso nas urnas. Nós não aceitamos o atual status quo em que um governo pode contar uma história para o povo e outra em particular. Desonestidade e sigilo comprometem completamente o conceito de auto governo. Como as pessoas podem julgar em quem votar se elas não estiverem completamente conscientes de quais políticas os políticos estão realmente seguindo?

Quando um governo é eleito, ele se diz ‘representante’ da nação que governa. Isso significa, essencialmente, que as ações de um governo não são as ações das pessoas do governo, mas que são ações tomadas em nome de cada cidadão daquele país. É inaceitável uma situação em que as pessoas estão, em muitos casos, totalmente não cientes do que está sendo dito e feito em seu nome – por trás de portas fechadas.

Anonymous e Wikileaks são entidades distintas. As ações do Anonymous não tiveram ajuda nem foram requisitadas pelo WikiLeaks. No entanto, Anonymous e WikiLeaks compartilham um atributo comum: eles não são uma ameaça a organização alguma – a menos que tal organização esteja fazendo alguma coisa errada e tentando fugir dela.

Nós não desejamos ameaçar o jeito de viver de ninguém. Nós não desejamos ditar nada a ninguém. Nós não desejamos aterrorizar qualquer nação.

Nós apenas queremos tirar o poder investido e dá-lo de volta ao povo – que, em uma democracia, nunca deveria ter perdido isso, em primeiro lugar.

O governo faz a lei. Isso não dá a eles o direito de violá-las. Se o governo não estava fazendo nada clandestinamente ou ilegal, não haveria nada ‘embaraçoso’ sobre as revelações do WikiLeaks, nem deveria haver um escândalo vindo da HBGary. Os escândalos resultantes não foram um resultado das revelações do Anonymous ou  do WikiLeaks, eles foram um resultado do conteúdo dessas revelações. E a responsabilidade pelo conteúdo deve recair somente na porta dos políticos que, como qualquer entidade corrupta, ingenuinamente acreditam que estão acima da lei e que não seriam pegos.

Muitos comentários do governo e das empresas estão sendo dedicados a “como eles podem evitar tais vazamentos no futuro”. Tais recomendações vão desde melhorar a segurança, até baixar os níveis de autorização de acesso a informações; desde de penas mais duras para os denunciantes, até a censura à imprensa.

Nossa mensagem é simples: não mintam para o povo e vocês não terão que se preocupar sobre suas mentiras serem expostas. Não façam acordos corruptos que vocês não terão que se preocupar sobre sua corrupção sendo desnudada. Não violem as regras e vocês não terão que se preocupar com os apuros que enfrentarão por causa disso.

Não tentem consertar suas duas caras escondendo uma delas. Em vez disso, tentem ter só um rosto – um honesto, aberto e democrático.

Vocês sabem que vocês não nos temem porque somos uma ameaça para a sociedade. Vocês nos temem porque nós somos uma ameaça à hierarquia estabelecida. O Anonymous vem provando nos últimos que uma hierarquia não é necessária para se atingir o progresso – talvez o que vocês realmente temam em nós seja a percepção de sua própria irrelevância em uma era em que a dependência em vocês foi superada. Seu verdadeiro terror não está em um coletivo de ativistas, mas no fato de que vocês e tudo aquilo que vocês defendem, pelas mudanças e pelo avanço da tecnologia, são, agora, necessidades excedentes.

Finalmente, não cometam o erro de desafiar o Anonymous. Não cometam o erro de acreditar que vocês podem cortar a cabeça de uma cobra decapitada. Se você corta uma cabeça da Hidra, dez outras cabeças irão crescer em seu lugar. Se você cortar um Anon, dez outros irão se juntar a nós  por pura raiva de vocês atropelarem que se coloca contra vocês.

Sua única chance de enfrentar o movimento que une todos nós é aceitá-lo. Esse não é mais o seu mundo. É nosso mundo – o mundo do povo.

Somos o Anonymous.

Somos uma legião.

Não perdoamos.

Não esquecemos.

Esperem por nós…”

* À titulo de notícia. Não há vinculos entre este blog e quaisquer grupos.

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Sobre UnderlinePV

"Sei o que faço, Amo o que faço e faço bem" Paulo Victor Fanaia é Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto-MG
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